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Numa época quando os países pedem cada vez mais biocombustível para a crescente demanda de energia, a produção agrícola de biocombustível precisaria de até 54 milhões de hectares de terra a mais até 2014, tendo em vista as metas atuais dos governos para a emissão de carbono.
O Brasil é o único país que tem milhões de hectares adequados para a produção de biocombustíveis, colocando, no entanto, em risco o patrimônio natural mais valioso do país – florestas maravilhosas e o Cerrado tropical mais rico em biodiversidade do planeta.
Se as terras para os biocombustíveis aumentarem em áreas de Cerrado natural e florestas nativas, isto seria um desastre tanto para a biodiversidade quanto para as emissões de carbono. Não obstante, se a expansão for canalizada em áreas degradadas de pecuária ou de plantio, os impactos serão mínimos. Com adequados sistemas de monitoramento e certificação, os consumidores de biocombustíveis brasileiros no Brasil e no exterior podem ter certeza que não estão incentivando desmatamento ou conversão de habitat no Cerrado.
A TNC e LMC International, uma consultoria conceituada na área de commodities agrícolas e de inteligência de mercado sediada no Reino Unido, publicaram um relatório que demonstra que uma quantidade entre 12 e 54 milhões de terra é necessária para satisfazer a demanda global de biocombustíveis até o ano 2014, dependendo da velocidade do crescimento econômico.
Para satisfazer essa demanda global, o relatório descreve que a América do Sul terá que começar a produzir biocombustíveis de 7 a 50 milhões de hectares de terra a mais do que no momento. Muito dessa expansão de terra ocorrerá no Brasil porque o solo e o clima do País criam as condições perfeitas para a plantação de biocombustível como, por exemplo, cana de açúcar e soja. No entanto, essa demanda aumentada pode ser traduzida em mais destruição de diversas áreas de Cerrado caso esse desenvolvimento não seja administrado de forma adequada.
A TNC acredita que a expansão dos biocombustíveis não precisa significar destruição de habitat natural. “O relatório que apresentamos aborda uma das principais questões ambientais de nosso tempo: biocombustíveis e uso da terra” comenta David Cleary, diretor de agricultura da TNC e co-autor do estudo.
O Brasil está se tornando uma superpotência agrícola, segundo ele, mas o Brasil pode se tornar também um modelo ambiental se a expansão agrícola for canalizada para áreas já desmatadas para pastagens e se souber conciliar agricultura e pecuária mais intensiva.
“É este potencial que está sendo apresentado no estudo” explica.“O que está em jogo é muito crítico, pois dezenas de milhares de hectares a serem desmatados para biocombustíveis representam um desastre ambiental em termos de biodiversidade e emissões de carbono para a atmosfera”.
Se a expansão dos biocombustíveis for canalizada em áreas já abertas para pastagens e plantio, haverá pouca necessidade de converter habitat natural, sobretudo no Cerrado onde a maior parte da expansão agrícola acontecerá, para satisfazer as demandas globais. Nesse sentido, o impacto na rica biodiversidade do País será minimizado. Se as plantações de biocombustíveis estiveram administradas conforme o padrão do Código Florestal Brasileiro, que exige a reserva legal de uma parte da terra do proprietário por fins de conservação, a indústria brasileira de biocombustíveis pode fazer parte de um esforço coordenado de reduzir emissões de carbono na Europa e nos EUA – contudo que a expansão acontece nas áreas já abertas.
Tendo em vista a expansão agrícola e a canalização dessa expansão para áreas já desmatadas, o relatório recomenda um aumento na densidade de rebanhos na criação de gado e uma melhor integração entre pecuária e agricultura. Se a expansão para áreas já desmatadas for bem documentada via sistemas de monitoramento por satélite, o processo vai provavelmente acelerar sistemas de certificação que levam a uma maior demanda de produtos carbono neutro nos mercados de commodities – claramente uma prioridade iminente de conservação dentro do contexto de aquecimento global.
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