A TNC é a maior organização de conservação ambiental do mundo. Estamos em mais de 35 países, adotando diferentes estratégias com um objetivo comum: proteger a natureza e preservar a vida.
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Por Grazielle Dib
O consumo de água é um assunto do qual ouvimos falar o tempo todo. Sabemos de cor o que cada um de nós podemos fazer para evitar seu desperdício – fechar a torneira enquanto escovamos os dentes, desligar o chuveiro durante o banho, etc. Sabemos também que se continuarmos consumindo da maneira como fazemos hoje, em poucos anos não teremos recursos suficientes para suprir as necessidades dos 7 bilhões de habitantes do planeta.
O que às vezes esquecemos é que a nossa necessidade de recursos hídricos vai muito além das ações do dia a dia. A água é fator condicionante para as atividades das empresas, indústrias e dos produtores rurais. Todos os alimentos e produtos que consumimos usam a água em algum momento de sua cadeia produtiva.
Nesse sentido, partindo de uma necessidade premente de desenvolver processos produtivos mais sustentáveis, surge, em 2002, o conceito de Pegada Hídrica.
A Pegada Hídrica é um indicador da ‘apropriação’ do recurso hídrico que pode analisar como este está sendo usado nos processos produtivos. Nesse caso, contabiliza-se não só a água utilizada para a produção direta, mas também o uso indireto ao longo de toda a cadeia produtiva, até que esse produto ou serviço seja utilizado pelo consumidor. Com o resultado em mãos, é possível elaborar um plano de adequação que aperfeiçoe a utilização da água objetivando diminuir ou até neutralizar a pegada.
“Conhecer em detalhes o modo como a água é usada dentro de uma indústria pode permitir melhoras relevantes nos processos produtivos tornando-os mais eficientes e sustentáveis. O cálculo da pegada hídrica é uma ferramenta fundamental para nos trazer este conhecimento” explica Albano Araújo, Coordenador da Estratégia de Água Doce da TNC.
A Kimberly-Clark, fabricante de itens de higiene pessoal, vai desenvolver em parceria com a TNC um projeto pioneiro no Brasil para avaliar e compensar a Pegada Hídrica gerada no processo de produção da sua planta industrial em Mogi das Cruzes. O objetivo do trabalho é propor ações de redução de consumo e de compensação da pegada buscando atingir o status de ‘água neutro’.
“Nos últimos anos, a Kimberly-Clark estabeleceu ousadas metas em sustentabilidade encarou o desafio de reduzir ainda mais o impacto de sua cadeia produtiva, com a conquista do selo FSC. A K-C ainda firmou uma parceria com a TNC para mensurar e neutralizar a pegada hídrica mais um exemplo do pioneirismo”, afirma Priya Patel, Diretora da Categoria Family Care.
Além do benefício para o meio ambiente, a redução do consumo de água traz vantagens também para quem adota a prática, reduzindo seus gastos não apenas com a água em si, mas também no consumo de energia, já que uma parte do que é consumido nos processos industriais está associada à captação, bombeamento e movimentação da água dentro das plantas. “A parceria da TNC com a Kimberly-Clark para avaliar e compensar a Pegada Hídrica da planta de Mogi das Cruzes é um marco no processo de melhoria da gestão dos recursos hídricos no setor industrial no Brasil. Esperamos que ela sirva de incentivo para que outras empresas também caminhem no sentido de se tornarem água neutro”, complementa Albano.
Nesse contexto, a TNC tem unido esforços com o crescente número de empresas, do qual a Kimberly- Clark faz parte, que busca reduzir e compensar suas pegadas hídricas. Atualmente outras multinacionais, entre elas a Coca-Cola, Pepsico, Renault, Nestlé já consideram a pegada hídrica em seus processos produtivos. Entre as empresas nacionais estão a Ambev, Fibria e Natura. Todas estas empresas estão associadas à Rede da Pegada Hídrica (Water Footprint Network), que atualmente reúne mais de 150 instituições de todo o mundo.
Para Fernando Veiga, Gerente de Fundos de Água para a América Latina da TNC, o exemplo da Kimberly-Clark, é muito importante para reforçar a ligação entre as atividades industriais e a conservação e restauração das bacias hidrográficas nos quais elas estão localizadas, e sem dúvida, será uma ótima referência para o setor industrial na América Latina.
24 de abril de 2012Grazielle Dib é assistente de Comunicação e Marketing da TNC em Brasília (DF).
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