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Albano Araújo
Coordenador da estratégia de Água Doce da TNC
Cadija Tissiani e Ayla Tiago
Um estudo inédito conduzido ao longo de três anos pela TNC, WWF-Brasil e o Centro de Pesquisas do Pantanal na Bacia do Rio Paraguai lançou um alerta a governos, empresas e sociedade civil organizada sobre a saúde ecológica de um dos biomas de maior biodiversidade do planeta: o Pantanal.
Pantanal em risco
A Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai, lançada recentemente, revelou que a maior planície inundada da Terra, reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade, está ameaçada, principalmente, pelos avanços das hidrelétricas e da agropecuária nas regiões das cabeceiras dos rios que alimentam esse ecossistema.
Apesar de não haver estudos do impacto acumulado das hidrelétricas no Pantanal, pode-se dizer que, juntamente com a agricultura e a pecuária, elas podem ocasionar grandes mudanças na região.
“O que se pode já observar é que com todas as atividades que lá existem, os rios levam mais sedimentos para o Pantanal, como acontece na bacia do São Lourenço, e também causam mudanças no poço de inundação, como é o caso no Rio Cuiabá. Isso atrasa o início do período da seca e também da cheia no bioma. Essa alteração pode ter impactos negativos relevantes sobre as plantas e animais da região, que são adaptados à variação natural das vazões”, explica Albano Araújo, coordenador da estratégia de Água Doce da TNC.
No caso da agropecuária, a ameaça vem das práticas não-sustentáveis que podem contribuir para o assoreamento dos rios que alimentam o Pantanal, bem como com o carreamento de substâncias nocivas advindas do uso indiscriminado de agrotóxicos e de fertilizantes. Em última instância, estas águas contaminadas ou com carga excessiva de sedimentos atingirão o Pantanal com consequências negativas imprevisíveis.
O estudo, que contou com a participação de 30 especialistas do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia, utilizou o Índice de Risco Ecológico (IRE) para avaliar a situação atual da área e ajudar a definir onde as ameaças existentes poderão se materializar na forma de impactos mais relevantes. Uma série de dados sobre a bacia, como rede hidrográfica, sistema viário, uso e cobertura da terra, relevo e demografia, foi sobreposta às informações ambientais, tais como biodiversidade e unidades de conservação, para avaliação de um grupo de especialistas. Eles então puderam atribuir pesos para a frequência e a severidade de ‘estressores’ e também para a sensibilidade do ecossistema em relação a eles. Albano acrescenta que “com isto, chegou-se a um índice que mostra o nível do risco ecológico a que cada área está submetida”.
Aindá há esperança
A boa notícia é que os danos não são irreversíveis e melhores práticas podem gerar enormes benefícios para o ecossistema.
O estudo faz recomendações específicas, tais como a implementação de regimes de vazões ambientais para as hidrelétricas em operação e a revisão do planejamento hidrelétrico na bacia. Para a agropecuária sugere-se a implementação das melhores práticas, principalmente para as áreas sob maior risco ecológico. Outra recomendação é que as áreas que estão sob maior risco possam ser protegidas com unidades de conservação (APAs, Parques, RPPNs, etc.), já que as que atualmente existem não contemplam estas áreas.
“Esperamos que o estudo subsidie o processo de tomada de decisão de órgãos governamentais e entidades privadas que desejem investir no desenvolvimento sustentável e na conservação dos ecossistemas” completa Albano.
13 de março de 2012Ayla Tiago é especialista em marketing do programa da Mata Atlantica e Savanas Centrais da TNC em Brasília (DF)
Cadija Tissiani é jornalista da TNC em São Paulo
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