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Mimetistas da natureza: borboletas, vespas e orangotangos.

Na natureza, a imitação pode ir muito além da necessidade de sobrevivência

Jon Fisher

Alguns dizem que o mimetismo é uma das mais sinceras formas de lisonjeio, porém, outros motivos se escondem por trás da camuflagem do reino animal. A biomimética é a imitação de um fenômeno natural, e, nesse mundo-cão – ou melhor, nesse caso, mundo-inseto – pegar carona com uma espécie bem-sucedida pode ser a chave para a sobrevivência.

Por exemplo, a borboleta monarca e a borboleta vice-rei tem aparências bem similares (apesar de serem de gêneros diferentes) e ambas produzem toxinas que fazem delas uma refeição desagradável.

Por terem desenvolvido aparências semelhantes, as duas espécies compartilham o benefício de ter a chance de um predador já ter aprendido que deve evitar borboletas com a coloração preta e laranja – depois de experimentar o gosto amargo de uma indigestão. Nesse caso, as duas espécies se beneficiam por se parecerem (o que os cientistas chamam de mimetismo mülleriano), já que ambas afastam os predadores.

Borboletas

Mas, é claro que nem todos os mimetistas ajudam um ao outro. Em alguns casos, assim que você consegue construir uma reputação resistente – gastando muita energia desenvolvendo defesas naturais - aparece um imitador barato querendo uma carona.

Por exemplo, muitas abelhas, vespas e marimbondos compartilham uma palheta de listras pretas e amarelas (outro exemplo de mimetismo mülleriano). Mas como muitos predadores já aprenderam que devem evitá-los, esses insetos também são alvo do mimetismo batesiano. De mariposas a moscas e besouros, muitos insetos inofensivos aprenderam que, desde que sua população seja menor em relação ao seus sósias, predadores irão se precaver e evitá-los também. 

 Zangões

Mas a Biomimética não se refere apenas à sobrevivência dos insetos. Os seres humanos também copiam animais, e há vários animais incríveis que também nos copiam.

Os exemplos vão desde tarefas simples, como pardais que aprendem a abrir portas automáticas, até as mais complexas e impressionantes (veja o vídeo do orangotango que roubou uma canoa para ir pescar). Pode não demorar muito até que a ideia de cachorros jogando poker não pareça mais tão engraçada.

Agora que sabemos que os corvos tem a capacidade não só de reconhecer rostos, como conseguem descrevê-los para outros corvos, temos que intensificar nosso jogo antes que eles encontrem um jeito de fazer com que trabalhemos para eles.

02 de outubro de 2012

Jon Fisher é Especialista em Gestão de Dados pela The Nature Conservancy em Arlington, nos Estados Unidos. 

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