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Água e segurança alimentar para a América Latina

SÉRIE ARTIGOS: Qual a ligação entre conservação e segurança alimentar?

Por Fernando Veiga e Vidal Garza Cantú

 Durante a Semana Mundial da Água – um dos mais importantes fóruns globais para analisar a situação desse recurso e os meios para assegurá-lo –, celebrada na última semana de agosto, em Estocolmo, colocou-se à mesa a questão da segurança alimentar. Trata-se de um aspecto estratégico para o desenvolvimento dos países latino-americanos e para a comunidade internacional.

 A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) considera que a América Latina e o Caribe têm grande potencial como fonte de alimentos. Estima-se que cada dólar gerado pelo setor agropecuário se multiplique seis vezes em benefícios para outras áreas produtivas — como transporte ou comércio —, gerando um alto impacto social.

 A relação entre os alimentos e a água é inevitável. Até 70% da água doce do planeta é usada na agricultura, e há cada vez mais evidências científicas de que seu uso inadequado, a degradação dos ecossistemas e as mudanças climáticas são ameaças reais à segurança alimentar. É inadiável considerar seu impacto ambiental. Investir na natureza e nos serviços oferecidos pelos ecossistemas saudáveis é uma decisão inteligente para o desenvolvimento, para o futuro, e complementa os investimentos em infraestrutura. 

 É preciso investir em três tipos de infraestrutura: a cinza, relacionada a obras de engenharia civil básicas para levar a água desde sua origem até onde ela é necessária; a suave, que envolve a governança e as instituições que permitem o diálogo e a tomada de decisões para o desenvolvimento sustentável; e a verde, relativa à proteção e conservação do capital natural, que é único e ainda pouco reconhecido pelos mercados, apesar de sustentá-los. O investimento nos três modelos apoia um melhor manejo da água e, por consequência, de todos os setores.

 A destinação de recursos à conservação — como a aplicação de sistemas de pastagem sustentável — compensa a natureza pelos benefícios que ela nos oferece. Esse investimento deve ser constante e é uma das várias ações promovidas pela Aliança Latino-americana de Fundos de Água, que ajuda a proteger bacias hidrográficas estratégicas ao mesmo tempo que favorece práticas sustentáveis que podem repercutir positivamente na agricultura e na pecuária.

 A Aliança é promovida pela The Nature Conservancy (TNC), pela Fundação FEMSA, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial. Representa um caso de sucesso, não apenas por ser um mecanismo de conservação inovador, mas, também, porque propicia a colaboração dos principais setores sociais.

 Não podemos viver sem alimentos, tampouco sem água. Estocolmo busca gerar melhores capacidades para cuidar da água e reforçar a segurança alimentar em benefício de bilhões de pessoas. Somente por meio da participação de todos no manejo integral dos recursos hídricos a geração de alimentos será um autêntico motor de progresso na América Latina e Caribe, ajudando a criar uma oferta alimentar mais saudável e que, ao mesmo tempo, permita conservar nossas fontes vitais de água. Esse é o único caminho para o futuro. Sem exceções nem atalhos.

14 de setembro de 2012

Fernando Veiga é Coordenador da Aliança Latino-americana de Fundos de Água
Vidal Garza Cantú é Diretor da Fundação FEMSA

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